quinta-feira, 4 de junho de 2009

Design de Interface

A primeira experiência que tive com o design de interfaces foi no primeiro projeto em que trabalhei, cuja proposta era o design e desenvolvimento de uma aplicação educacional para o xo (laptop de $100).
Nesse projeto, elaborei o design de um jogo educacional em que o tema era a fauna e flora brasileira. O principal objetivo do jogo era apresentar aos estudantes, dentro da faixa etária de 6 a 12 anos, os animais característicos do Brasil, os ecossistemas aqui existentes e a relação entre ambos, com a descrição do habitat e hábitos dos animais e das características de cada ecossistema. Dessa forma, eles conheceriam um pouco mais de seu próprio país. Já que, é comum saber mais sobre animais que não são característicos do Brasil, como o elefante e a girafa, do que sobre animais brasileiros, como o tamanduá-bandeira ou da arara azul.
Além disso, nesse jogo, foi abordado a temática da extinção de animais. Objetiva-se com isso, tornar de conhecimento público a necessidade de atenção à fauna brasileira, em que animais caracteristicos do Brasil, estão entrando em extinção ou já foram extintos.
O principal desafio que existe na elaboração de um jogo educacional é passar conteúdo e ao mesmo tempo torná-lo atrativo. Isso porque, um jogo educacional, simplesmente por ter o nome educacional, já afasta as pessoas, pois é considerado chato. Dessa forma, o design da interface do jogo é muito importante.
O aspecto principal da interface criada é o design minimalista. Isso porque, deve-se ter cuidado para não inserir em excesso funcionalidades, ícones, imagens. Pois estes, em excesso, servirão para confundir o usuário e tornar a interface complicada de se entender e usar.
A interface também foi elaborada com o intuito de ser o mais clara possível, não necessitando o usuário de ajuda ou mesmo descrição de cada funcionalidade. Dessa forma, foi criado um help. Porém, ele é sintético, explicando somente as principais características e movimentos do jogo. É importante que o help seja sintético, não só pelo fato de que para usar uma interface não deve ser necessário muitas explicações, mas também porque os usuários desse software são crianças, que não se interessam por ficar lendo muitas instruções e, muitas vezes, foram alfabetizadas há pouco tempo.
Outro ponto importante no design da interface foi o cuidado com os termos e expressões utilizadas. Isso porque, é importante que se passe conteúdo educacional e ao mesmo tempo que o mesmo seja compreendido pelas crianças. Sendo assim, os termos usados não eram muito eruditos, e sim, simples e comuns. Mas, ao mesmo tempo, refletiam o conteúdo que queria ser passado com o jogo.
Após o desenvolvimento do jogo, foi realizado um teste com algumas crianças. O método utilizado nesse teste de software inspirou-se e foi adaptado da proposta de Chorianopoulos e Spinellis para a avaliação de respostas emocionais para IU. O framework é composto de três construtos (Estados de Sentimento, Engajamento e Gosto) relativos aos níveis de Norman para os mecanismos mentais, e de um instrumento de medida para esses construtos (SAM). Nesse teste, utilizou-se o SAM como instrumento de registro do estado de sentimento imediato individual.
Além da utilização do SAM, houve uma discussão com as crianças sobre o que eles acharam do jogo, o que poderia ser alterado ou incrementado no mesmo. Essas duas atividades mencionadas foram realizadas após uma etapa inicial de exploração do jogo, onde as crianças sozinhas puderam conhecer, entender o jogo e jogá-lo. Os resultados obtidos nesse teste foram bastante satisfatórios, o que contribui para eu gostar ainda mais da experiência que tive trabalhando nesse projeto =)
Digo isso, porque a experiência de criar um jogo simples, mas por inteiro, desde o design até o desenvolvimento e avaliação do mesmo num primeiro projeto foi muito boa, pois além de aprender sobre design de interfaces, aprendi outra liguagem de programação, tive acesso a um laptop com uma interface e forma de interação diferente dos computadores comuns e com isso, aprendi muitas coisas voltadas à computação. Assim, por si só, essa já seria uma experiência extremamente válida. Mas, acrescentando o fato de que a avaliação do software foi bem sucedida, só tenho como gostar ainda mais desse projeto =)

Um comentário:

  1. Fernanda,

    Quanta coisa interessante você contou!
    Não quer dar uma palhinha para a turma?
    Umas imagens, uns links, algo que mate nossa curiosidade sobre o que foi feito.

    Estou coordenado um projeto de desenvolvimento de software educacional e estou bastante curiosa em conhecer seu trabalho.

    Aguardo o próximo post!

    heloisa

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